Cabeça Problemática
 


Distrações que não fazem nada além de ajudar a passar o tempo.

Existe um lugar onde o preto é a cor, o zero é o número, a fome é escassa, as almas esquecidas, o nada o tudo, e o tudo um detalhe. Fica perto. Logo ali, depois dos anéis de fumaça da sua mente, descendo pelas ruinas empoeiradas do tempo, passando pelas folhas congeladas, e as árvores assombradas e assustadas, na direção da praia iluminada, longe do alcance da loucura arrependida. Onde você pode dançar sob o céu de estrelas que mais parecem diamantes, com uma mão acenando livremente, com toda a memória e o destino afundando entre as ondas, o fazendo esquecer do hoje até amanhã.

Até onde sua consciência pode chegar?



 Escrito por Elvis às 15h40
[] [envie esta mensagem]




O Destino de Arthur

Arthur estava correndo pela rua, como fazia todas as manhãs. Um dia, ao passar pela padaria, a três quarteirões de casa, a encontrou pela primeira vez. Ele não conseguia acreditar no quão linda era ela.

Começaram a conversar e decidiram andar pelo parque. De repente ela parou em frente a um hotel estranho, e o convidou para entrar. Ele jogou uma moeda para o cego que estava sentado na entrada, e foi subindo atrás dela. Enquanto o sol ia se pondo, os dois corpos tornavam-se um.

Ao acordar no outro dia, Arthur não a encontrou. Olhou para os lados, procurou pelo quarto, mas ela já tinha ido embora. Fingiu que não se importava, mas quando abriu a cortina, ficou fitando o parque, com os olhos mais vazios que já foram vistos.

Decidiu correr e procurá-la, precisava vê-la novamente. Desceu as escadas e tropeçou no mesmo cego, mas não sem lhe dar outra moeda. Passou pelas lojas, pelo parque, e por todos os lugares possíveis, quando, de repente, parou. Olhou ao seu redor, e notou que estava no mesmo local onde havia a encontrado pela primeira vez.

Sentou-se na calçada, com a mão  no queixo. Talvez por um simples acaso do destino ela passase por ali novamente algum dia. E Arthur esperou, esperou e esperou.



 Escrito por Elvis às 15h32
[] [envie esta mensagem]




Esperando a morte chegar.

Lá estava ele, sentado em sua poltrona de veludo verde escuro, tomando uma taça de um vinho tinto, e fumando um cigarro. Estava a esperar a morte. A pouca luz que iluminava a enorme sala, vinha, na maior parte, da lareira, ao seu lado direito, na diagonal, e do lustre de cristal, que refletia o fogo. Acima da lareira estavam alguns de seus livros preferidos. Atrás da poltrona, bem lá no fundo, quase imperceptível, estavam centenas de outros livros. A única coisa realmente visível era a sua poltrona, o cinzeiro e a garrafa de vinho. Envolto em um roupão branco, ele ainda divagava sobre a morte, entre os goles de vinho e os tragos do cigarro. Ao que parece, ele não tem medo de morrer. Acha que já está nos seus últimos minutos. Outro gole, outro trago, e um barulho na janela. Ele se levanta e nada vê. Senta-se de novo, apaga o cigarro e dá um último gole, secando a taça. Agora, sem cigarro nem vinho, percebe que a vida, até ali, não fora tão dura, mas que já era mesmo a hora de acabar. A morte demora pra chegar, e ele já não agüenta esperar. De repente, alguém bate na porta. Ele não se assusta, mas acha estranho alguém bater na porta a essa hora da madrugada. Sua esposa e aa crianças já estavam dormindo. Ele vagarosamente se levanta e vai caminhando descalço até a porta. Em passos curtos e silenciosos, ele finalmente alcança a maçaneta. Ao abrir, avista a mulher mais linda que pudera imaginar, e com a voz mais suave que já houvera, ouviu as palavras: "E então, vamos?", enquanto ela estendia a mão. Impossível resistir a um gesto tão reconfortante e a uma voz tão suave. Ele estica seu braço e pega a mão dela. E eles vão andando, pelo corredor ainda mais escuro, até desaparecerem. O corpo dele está na poltrona. Descalço, sem vinho, sem cigarro, sem vida.

 Escrito por Elvis às 15h31
[] [envie esta mensagem]




A breve aventura de um personagem ainda sem identidade definida no País dos Psicotrópicos

Lá estava ele, enforcando seus cartões postais e pintando passaportes enquanto observava o imenso arco-íris preto e branco que estava do lado de fora da sua janela. Lado esse que tinha um pequeno beco, no qual pessoas lambiam algodão e escreviam pinturas.

Achava estranho, ao olhar por cima, quando algumas pessoas anotavam palavras olhando em sua direção, enquanto pisavam em cacos e vidros. Algumas tentavam mudar o mundo quebrando vidraças, mas isso não lhe parecia muito eficiente.

Estava tudo muito engraçado, mas ele fechou a janela. Quando notou que a goteira no teto da casa onde estava, que não parecia com a sua, havia muito va... ga... ro... sa... men... te se transformado em uma poderosa e volumosa cachoeira. Tentou secar toda aquela água, mas tava tão molhada que era impossível. E quando, a doze quilômetros de altura, via as luzes piscando, jogou sal em toda a Terra.

Foi então que todo aquele ermo explodiu em uma variedade estonteante de sons, cores e imagens jamais vislumbradas por aqueles olhos já miopráxicos. O arco-íris coloriu-se novamente, e, enquanto relaxava sentado no seu banco de pedra esculpido em madeira, caiu no sono.

Foi justamente nesse momento que percebeu que havia acordado. E tudo havia voltado ao normal. O céu não tinha mais arco-íris. Os cartões postais não estavam pendurados. Os passaportes ainda eram verdes. Mas aqueles desertos antes impossíveis de serem percorridos haviam desaparecido. Os mistérios e as respostas não mais pareciam duas montanhas separadas por um vale. Mas sim duas margens de um mesmo rio.



 Escrito por Elvis às 15h27
[] [envie esta mensagem]




Texto número um: Apresentação.

Oi, pessoal. Sou eu, o Elvis. Essa é a milésima sétima vez que tento fazer um blog. Talvez dê certo, talvez 1007 seja o meu número da sorte.

Lembram-se do conceito do Arthur? É, aquilo não deu muito certo. Então esse blog é diferente. Agora o Arthur pode ser qualquer pessoa! Eu, você, eles... todo mundo! E, claro, pode ter nomes diferentes.

Uma vez eu disse que não queria ser Elvis, Marlon Brando, James Dean, John Lennon... de certo modo, é verdade. Mas de um certo outro modo, é mentira. E eu disse "não quero mais ser perfeito, desisti há tempos. Também desisti de tentar fazer algo perfeito." e isso ainda é 100% verdade. Então, apenas faço o que faço. Aliás, acho que esse é o conceito final desse blog. Fazê-lo, só para dizer que tá feito.

De vez em quando, talvez, quem sabe, se tudo correr bem, algo interessante pode aparecer por aqui, e talvez, quem sabe, se tudo correr bem, de vez em quando você queira até mesmo voltar para conferir. Mas se não o fizer, tá tudo certo, afinal, você não é obrigado.

A coisa mais chata é ler um blog e comentar com o próprio autor, mas ainda ouví-lo pedir: "comenta lá no blog pra mim". Parece que precisa de algum tipo de auto-afirmação. Então, se não quiser comentar, não pense duas vezes, que tá tudo bem.



 Escrito por Elvis às 15h16
[] [envie esta mensagem]




Ok, lá vamos nós de novo!

Resolvi re-ativar o meu blog... e para que ele não pareça de cara uma coisa velha e desatualizada, republiquei todos os textos, para que ficassem com novas datas!



 Escrito por Elvis às 15h09
[] [envie esta mensagem]


[ ver mensagens anteriores ]
 
 
 
 10/06/2007 a 16/06/2007
 09/07/2006 a 15/07/2006




 Cabeça Problemática
 Ilustre Desconhecido
 Cartela Vazia
 Casada Palavra
 Hemorragia
 A Nível De
 Pão com Farofa



 Dê uma nota para meu blog